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Em Sociologia, para se realizar uma pesquisa ou fazer uma investigação baseada em dados científicos é necessário partir da observação do real, encontrando, deste modo, uma estratégia de investigação. Esta irá depender dos objectos de pesquisa bem como da sua origem. Com efeito, alguns objectos de investigação sugerem a utilização de métodos e técnicas de carácter mais quantitativo (quando o universo em estudo é muito vasto), enquanto que outros objectos de pesquisa permitem uma análise mais intensiva. Deste modo, as estratégias de investigação sociológica são variadas, e permitem-nos uma recolha de diferentes tipos de dados, consoante os problemas com que estamos a lidar.
Neste artigo iremos abordar o método de investigação intensivo, uma vez que a técnica escolhida foi a entrevista. Este tipo de estratégia (intensiva) analisa em profundidade as características, opiniões, uma problemática relativa a uma população determinada, segundo vários ângulos e pontos de vista. Neste método, a abordagem directa das pessoas é o método preferível, tentando-se interagir frente-a-frente com os intervencionistas. As técnicas utilizadas não só são qualitativas, como também quantitativas ou extensivas. Para este tipo de estratégia, uma das técnicas que melhor auxilia o investigador a obter informação mais pormenorizada e fiel é a entrevista. As entrevistas constituem uma técnica que pode ir do breve contacto formal, a uma entrevista longa e relativamente vaga, na qual o investigador permite ao entrevistado desenvolver pontos à sua vontade ou sugerir outros que deseja considerar. O ponto básico e de iniciação para a técnica da entrevista é a construção do questionário sobre o qual se efectua a recolha de informação ao entrevistado devendo-se esta se centrar, portanto, sobre o entrevistado. Dentro das entrevistas, há, ainda, as entrevistas estruturadas que obedecem a um esquema rígido, previamente fixado, onde as questões são, geralmente, fechadas, ou seja, o entrevistado não tem a possibilidade de desenvolver a sua resposta. O objectivo é conseguir uma entrevista mais ou menos uniforme, com respostas controladas. Temos também as não estruturadas onde a condução por parte do entrevistador é mais flexível, podendo orientá-la com a sequência e as questões que julgar mais convenientes, de acordo com a sua sensibilidade e tacto. As questões apresentadas são, sobretudo, abertas, isto é, o entrevistado tem a possibilidade de exprimir e justificar livremente a sua opinião. Neste tipo de entrevistas, o entrevistador tem uma espécie de guião do qual se serve para se orientar nos temas que deverá abordar com o entrevistado. Contudo, as entrevistas, para além de poderem ser de tipo intensivo (centra-se num indivíduo, sem limites de tempo e com ampla liberdade) podem também ser utilizadas na análise extensiva (entrevista curta e superficial, abrangendo um conjunto relativamente alargado da população). A diferença entre uma e a outra é facto que na primeira, a entrevista poderá dificultar o generalizar da informação, já na segunda, permite observar populações mais numerosas levando a uma melhor comparabilidade dos resultados e a uma maior representatividade estatística. Ainda assim, a entrevista do método intensivo oferece ao investigador uma maior profundidade de observação, valorizar aspectos do quotidiano e atender à especificidade de cada caso.
Raquel Ermida, nº5 Margarida Pires, nº14 Inês Morgado, nº15
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